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Olá, navegante dos dados!!! ⛵📊
Às vezes algumas pessoas que estão iniciando na área de dados – ou que estão querendo realizar uma migração – me procuram no LinkedIn ou Instagram para falar sobre carreira, estudos e tirar algumas dúvidas… e todos(as) sempre me fazem perguntas do tipo: “Que plataforma de cloud eu deveria estudar inicialmente?”.
Com o avanço avassalador das tecnologias, a utilização da Computação em Nuvem – ou Cloud Computing – se tornou algo tão comum que é utilizado independente de tipo de negócio ou porte de empresa.
Mas a pergunta que fica é: se vale investir os estudos para a carreira, que provedor de cloud eu deveria escolher inicialmente para estudar?
E para ajudar vocês nessa decisão, é com imensa satisfação que convidei 3 grandes especialistas que trabalham comigo atualmente, onde cada um expôs seus pensamentos mediante algumas perguntas que fiz relacionado ao provedor em que são especialistas.
Simbora adquirir mais conhecimentos? (e quem sabe tomar novas decisões?) 💡
Sumário
- ☁️ O que é cloud computing?
- 👥 Sobre os Entrevistados
- 📝 Vamos as perguntas…
- ✅ Qual é o principal diferencial da “sua cloud” em comparação com as outras provedoras de cloud?
- ✅ Como a “sua cloud” se adapta às necessidades específicas de pequenas empresas versus grandes corporações?
- ✅ Quais são os maiores desafios que os novos usuários enfrentam ao aprender e implementar serviços na “sua cloud” (pensando na curva de aprendizado)?
- ✅ Quais são as tendências e inovações que você vem acompanhando para o futuro da “sua cloud” e que acredita valer a pena seguir carreira?
- ✅ Que conselhos você daria para alguém que está começando seus estudos em cloud computing e escolheu a “sua cloud” como ponto de partida?
- 🎯 Considerações finais
☁️ O que é cloud computing?
Primeiramente, vamos esclarecer o conceito de Cloud Computing.
De forma simples, é a utilização de poder computacional (como armazenamento, processamento, etc…) em servidores externos acessíveis pela internet.
O conceito complicou? Então vamos simplificar mais! Imagine que você seja um usuário da Apple e, por exemplo, utilize o serviço chamado iCloud para armazenar fotos e vídeos. Nesse caso, você já está consumindo um recurso de computação em nuvem. O nome “iCloud” já sugere esse serviço, voltado principalmente para armazenamento em grande escala (que é o mais conhecido – popularmente falando), assim como o Google Drive. Entretanto, a computação em nuvem nos ajuda em muitos outros cenários, como o processamento de dados em larga escala usando processamento paralelo, que pode ser facilitado pelo escalonamento horizontal (adicionando mais máquinas para distribuir a carga de trabalho), e o suporte a soluções com Inteligência Artificial.
Eu sei, posso ter falado uma sopa de letrinhas que você ainda não conhece… mas ai está a importância de estudar os fundamentos, os conceitos e solidificar isto em sua carreira, pois até em entrevistas caem muitas perguntas deste tipo para testar seus conhecimentos.
Atualmente, temos várias empresas que dispõe desse serviço no mercado, porém, existem 3 big techs que são mais utilizadas: Azure (Microsoft), AWS (Amazon), GCP (Google).
É natural que no início de carreira ou migração exista dúvidas do que exatamente estudar, pensando em qual vale a pena investir inicialmente seu maior tempo e foco, afinal de contas, um bom profissional precisa sempre estar bem qualificado independente da plataforma escolhida.
👥 Sobre os Entrevistados
Abaixo, vamos conhecer um pouco mais sobre os 3 entrevistados, onde cada um irá falar sobre um provedor de cloud no qual é especialista:
- Luiz Santana
- Especialista na Microsoft Azure
- LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/luizfsantana/
- Blog: https://consultabd.wordpress.com/
- Logan D. Merazzi
- Especialista na Google Cloud Plataform (GCP)
- LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/loganmerazzi/
- Blog: https://blog.merazzi.com.br/
- Oscar Guillermo Richieri Meyer
- Especialista na Amazon Web Services (AWS)
- LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/oscar-guillermo-richieri-meyer
- Blog: https://vivendodedados.data.blog/
📝 Vamos as perguntas…
✅ Qual é o principal diferencial da “sua cloud” em comparação com as outras provedoras de cloud?
- Luiz (Azure)
- Hoje a Azure possui serviços que se adaptam a todos os cenários, volumetrias e empresas. A escalabilidade e custos atrativos podem fazer empresas pequenas começarem com recursos menores e crescerem ao decorrer do tempo, assim como, grandes empresas podem escalar seus poderes computacionais para tratar altas volumetrias de dados.
- Logan (GCP)
- Entendo que hoje, podemos citar as iniciativas de Big Data e Data Warehousing com o BigQuery e possibilidade de usar ferramentas conhecidas e já estabelecidas globalmente entregues como serviço, como por exemplo o Cloud Composer, usando o Airflow “por baixo dos panos” ou o Cloud Dataflow, usando o Apache Beam. Sem contar a documentação que, na minha opinião, possui a melhor documentação entre todas plataformas do mercado. Isso possibilita uma entrada na nuvem com uma curva de aprendizagem muito mais rápida (obviamente, desde que você conheça as ferramentas).
- Oscar (AWS)
- Ao meu ver, um dos principais pontos da AWS é a sua visão de peças de lego em seus serviços. Isso quer dizer que, quando preciso montar uma solução, na AWS consigo conectar diversos serviços para criar um produto totalmente personalizado para o meu problema, proporcionando um altíssimo poder de customização, diferente de apenas usar produtos “de prateleira”. Além disso, boa parte dos serviços são ferramentas open-source entregues de maneira gerenciada ou serverless.
✅ Como a “sua cloud” se adapta às necessidades específicas de pequenas empresas versus grandes corporações?
- Luiz (Azure)
- Na minha opinião existem 2 pontos que fazem o Microsoft Azure ser melhor que as outras clouds: o primeiro ponto é a facilidade de utilização e a segunda a quantidade de usuários de tecnologias Microsoft.
- Logan (GCP)
- Na GCP é possível criar ambientes muito resilientes e versáteis, seja criando um projeto único, com poucos recursos e um custo mais baixo – para empresas que não demandem tanto das possibilidades mas que querem entrar na nuvem – ou criando ambientes extremamente complexos, envolvendo diversos projetos e ambientes distintos, realizando separação de recursos para facilitar o mapeamento do billing, entendendo onde cada área da empresa está gastando.
- Oscar (AWS)
- Aqui temos várias vertentes, mas, em geral, um dos principais pontos é o desenho dos serviços e dos modelos de cobrança. Quando falamos de analytics, por exemplo, podemos montar arquiteturas extremamente enxutas e com um custo baixíssimo que atendem a empresa em sua fase inicial (utilizando serviços como o Athena, por exemplo). Para as grandes corporações, temos serviços de processamento distribuído (como Glue e EMR). Outro ponto é que na AWS muitos serviços possuem um free tier vitalício que cobra apenas a partir de um número X de uso. Como exemplo, temos o Step Functions que, muitas vezes, é usado na orquestração das soluções e todo mês o cliente possui 4.000 transições de estados gratuitas, o que, em boa parte dos cenários pequenos, é mais do que suficiente. Os serviços e arquiteturas são pensados para que o custo seja compatível com a demanda do cliente e cresça junto com o crescimento da empresa. Outro ponto é que existem diversos programas de incentivo que a AWS lança ao longo do tempo, como para startups, empresas de saúde, etc.
✅ Quais são os maiores desafios que os novos usuários enfrentam ao aprender e implementar serviços na “sua cloud” (pensando na curva de aprendizado)?
- Luiz (Azure)
- Os maiores desafios são a quantidade de serviços que podem executar uma mesma função, além disso, saber qual o melhor para o cenário do cliente. Outro ponto é a falta de base tanto dos serviços da Azure quanto nos conceitos fundamentais como cloud, big data, dados, programação, infra e etc.
- Logan (GCP)
- Apesar da documentação completa e ferramentas já estabelecidas ditas anteriormente, grande parte das ferramentas usadas exigem um certo grau de proficiência em desenvolvimento para realizar o trabalho, se compararmos com a Azure, por exemplo. Ler a documentação é fundamental para se ter o entendimento completo e não acabar criando recursos e tendo gastos desnecessários. Não à toa, equipes com conhecimento em processos de desenvolvimento tendem a se sair melhor na GCP, uma vez que as ferramentas entregam uma flexibilidade muito alta de personalização.
- Oscar (AWS)
- Entendo que o maior desafio é justamente o item que apontei como diferencial. Entender para que serve cada serviço, visto que existem centenas, muitos dos quais resolvem problemas parecidos, mas com pequenas diferenças entre eles.
✅ Quais são as tendências e inovações que você vem acompanhando para o futuro da “sua cloud” e que acredita valer a pena seguir carreira?
- Luiz (Azure)
- Duas tendências que venho acompanhando: Primeiro é a utilização de Inteligência Artificial para melhorar a produtividade dos usuários e a segunda é a utilização do Microsoft Fabric para unificar todos os serviços de dados da Microsoft em um novo serviço de SaaS.
- Logan (GCP)
- É difícil dizer uma tendência para seguir pois, hoje, todas as áreas estão com novidades a todo o instante. Difícil é acompanhar tudo o que está chegando. 🙂 Hoje, o hype está em torno de Inteligência Artificial. A integração das ferramentas com o Gemini, desde a ingestão e seguindo por todo o processo de governança de dados, tende a ser um grande facilitador no processo de construção de ambientes de dados na nuvem. Apesar de ainda ser um pouco cético (eu prefiro dizer old school), eu vejo que logo mais, o mercado vai passar a considerar que conhecer uma IA deixará de ser um diferencial nas vagas. Basta ver os eventos que a GCP está fazendo ultimamente, grande parte é voltado para IA integrada à plataforma.
- Oscar (AWS)
- Bom, a AWS foi a pioneira no cloud computing, então vejo que é uma empresa que sempre está pensando na demanda futura e considerando muito seus clientes para isso. Atualmente, vejo a maior movimentação da AWS na corrida pela IA generativa junto com as demais. Mas, em geral, fora tendências, o que de fato gosto na AWS é sua capacidade de inovação e velocidade de lançamento de serviços que resolvem problemas cansativos das empresas. Recomendo olhar a gama de serviços que a AWS oferece. Ela possui serviços para todos os tipos de casos, como automação, serviços de satélites, analytics, e na parte de desenvolvimento é uma das preferidas, pois oferece muito mais do que apenas um servidor para rodar os seus códigos, mas sim todo um ecossistema que faz sua aplicação ter baixo custo e ser escalável, crescendo junto com a demanda da empresa. É bem complexo resumir tudo isso aqui, mas, em geral, o objetivo da AWS é ser o parceiro do cliente de ponta a ponta.
✅ Que conselhos você daria para alguém que está começando seus estudos em cloud computing e escolheu a “sua cloud” como ponto de partida?
- Luiz (Azure)
- Estudar bem o conceito das ferramentas, ler a documentação oficial dos serviços, estudar o Microsoft Learn, tentar obter as certificações fundamentals (AZ-900, DP-900, AI-900, etc), obter as certificações associate quando estiver mais expert e tiver um certo domínio/experiência nos serviços em questão (baseando-se na sua área de interesse).
- Logan (GCP)
- Comece pelos fundamentos, sempre. Possivelmente você vai esbarrar na questão de custos da nuvem em algum momento. Justamente por isso, aprenda a usar a ferramenta instalando-a localmente – lembre-se, existe a alternativa open source. E não queira abraçar o mundo de uma vez, comece devagar, mas constante. Foque no que você quer entender, crie portfólios e comece a pensar em como integrar com a próxima ferramenta. E claro, precisando de algo, me chame, vamos trocar umas ideias e vamos avançar.
- Oscar (AWS)
- O primeiro é ter conceitos sólidos sobre cloud computing e entender por que utilizamos essas tecnologias. Antes de saber sobre serviços e ferramentas, é preciso dominar o conceito para que se consiga absorver as ferramentas e criticar as escolhas, inclusive. Na parte de aprendizado específico de AWS, minha dica é estudar primeiro os serviços base, como os de computação, rede, IAM e banco de dados. Depois desse ponto de partida, é importante olhar qual será o seu alvo de aprofundamento. Se for na parte de dados, escolha um serviço para cada problema de dados (processamento, dataviz, ingestão, storage, serving layer, etc.) que você precise resolver e estude sobre eles. Recomendo realizar projetos de estudo e analisar cases publicados para ver como a arquitetura foi desenhada e entender suas motivações. Um ponto importante é que, nesse começo, foque no que mais temos por aí, que são arquiteturas batch focadas em BI, e depois expanda para streaming e outros casos.
🎯 Considerações finais
Rapaz… eu não sei vocês, mas para mim todos esses insights que eles trouxeram foram MUITO válidos! Neste post há dicas super valiosas, então leiam e releiam sem moderação.
Percebem que, apesar de falarmos de 3 provedores diferentes, sempre irá existir pontos diferentes ou parecidos? Exemplo, todas as provedoras no momento estão investindo em inteligência artificial devido o assunto estar em alta; independente de qual cloud escolher, sempre existirá uma curva de aprendizado específica para cada uma devido suas complexidades ou facilidades; ler documentação é um ponto chave para os estudos e um foco inicial nos conceitos é fundamental para quem está em início de carreira ou migração.
Agradeço imensamente a cada um dos entrevistados: Luiz Santana, Logan Merazzi e Oscar Mayer por tirarem um tempinho e responder este questionário em pró de ajudar a comunidade, compartilhando um pouco de conhecimento e trazendo essas super dicas. 💙
Espero que tenham gostado e caso tenha alguma dúvida, sugestão, dica, qualquer feedback… deixa um comentário abaixo para que melhore ainda mais os conteúdos e/ou também traga algo que você deseja aprender!
Até o próximo post, pessoal! #SimboraNavegarNosDados
Se você chegou até aqui, parabéns! Acabei de gerar mais dados na internet e, se você gostou, gere mais dados também curtindo e compartilhando este conteúdo. 😄
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